15 de outubro de 2009 às 10:22 am Por Jander Ramon
Centro de Controle da Polícia de Dubai
Segurança pública é função de Estado e não há quem questione essa atribuição. A pesquisa revela, entretanto, ser crescente, nas megacidades, a participação privada nesse campo. Isso decorre, essencialmente, porque há uma percepção, na avaliação dos stakeholders, de que as organizações privadas de segurança e proteção dispõem de credibilidade e são confiáveis, atraem investimentos e são altamente eficientes.
O primeiro avanço da iniciativa privada nessa área envolve a contratação desses agentes pelos órgãos governamentais para desempenhar tarefas específicas de segurança, em diversos segmentos, mas não em linha de frente das operações. Na Grã-Bretanha, por exemplo, parte do processo de requisição de passaportes é terceirizado, com execução da Siemens IT Solutions Services. Muitos aeroportos usam, até certo ponto, os serviços de empresas privadas de segurança.
A participação privada evolui também porque pessoas ou empresas têm assumido para si a responsabilidade de prover sua própria segurança e, para isso, contratam guardas privados e aumentam as muralhas de proteção. Nesse caso, há uma percepção de que a segurança oferecida pelo Estado é insuficiente para aplacar os receios dos cidadãos e das pessoas jurídicas, ainda que, na prática, a maioria dos estudos aponte que as vizinhanças gozam praticamente do mesmo nível de segurança que os arredores daqueles que contratam proteção privada. Porém, para aqueles que efetuam a contratação, o sentimento de proteção é, invariavelmente, maior.
Se há quem defenda a eficiência e credibilidade dos agentes privados nessa área, existe também quem rechace essa maior participação, essencialmente baseado em conceitos ideológicos: 39% dos entrevistados afirmam que esse campo é função do Estado; 23% afirmam que o setor privado não é responsável por essa área; e 16% apontam empresas privadas de segurança patrimonial como “elitistas”. Não deixa de ser curioso que, para o conjunto de entrevistados, 33% indicam esperar esforços privados nesse setor, ante 67% dos entes públicos – um dado surpreendente, pois hoje a atuação é quase que absolutamente governamental.
Isolamento
A pesquisa revela que o fornecimento de segurança privada ainda gera controvérsia. O conjunto de stakeholders afirma que, nos próximos anos, as cidades darão maior ênfase para o desenvolvimento de comunidades abertas, ante condomínios fechados (61% ante 39%). No entanto, nas cidades emergentes, com taxas mais elevadas de violência, os entrevistados indicam, em sua maioria, a ênfase nos condomínios fechados em relação às comunidades abertas (52% ante 48%).

Categorias: Segurança, Urbanização
Tags: Megacidades, proteção, segurança pública, Urbanização
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Sou um profissional na área de segurança e achei muito interessante o texto sobre “A presença da iniciativa privada no setor de segurança”. resolvi, portanto, adicioná-lo ao meu Twitter: http://www.twitter.com/asasecurity
Todo assunto sobre segurança que encontro na internet, que possui um conteúdo informativo, eu direciono para o meu Twitter. Parabéns pelo site de vocês.
Muito obrigado, Anderson.
Caro Jander, estou desenvolvendo uma monografia sobre loteamentos fechados e a questão da segurança privada está diretamente realcionada ao tema. Se possível, gostaria de saber qual a fonte dos dados estatísticos da pesquisa (quem fez as entrevistas, com quantas pessoas, etc.)Parabéns pelo texto. Grata, Viviane
Oi Viviane, muito obrigado por acompanhar nosso blog. O estudo realizado pela GlobeScan e MRC McLean Hazel, patrocinado pela Siemens, entrevisou 522 stakeholders distribuídos em 25 cidades, com aproximadamente 20 entrevistas por cidade. O relatório foi realizado pela GlobeScan, em conjunto com várias companhias locais, entre 28 de setembro e 17 de novembro de 2006, com entrevistas presenciais ou por telefone. Os entrevistados foram divididos em quatro grupos: líderes políticos eleitos; funcionários públicos; fornecedores de infraestrutura do setor privado, gerentes de empresas de construção e financistas (privados); e pessoas que estão em funções que influenciam os tomadores de decisão sobre infraestrutura, tais como: líderes de pensamento, acadêmicos, ONGs e mídia. Dos respondentes, pelo menos 69% têm pelo menos dez anos de experiência em infraestrutura de cidades. Coube à MRC McLean Hazel realizar a análise dos setores críticos da infraestrutura em oito das 25 cidades cobertas pelo estudo. As cidades estudadas foram: Istambul, na Turquia; Moscou, na Rússia; Mumbai, na Índia; Nova York, nos Estados Unidos; Xangai, na China; e São Paulo.