Debate sobre mudanças climáticas: na blogosfera e, portanto, aqui

16 de outubro de 2009 às 6:25 pm Por Jander Ramon

O assunto dessa semana na blogosfera foi “Mudanças Climáticas”. Temos dado nossa parcela de contribuição a esse debate, tendo abordado o tema, direta ou marginalmente, em posts como “A busca por energia limpa”, “Relevância secundária para o saneamento básico” e “Ênfase nos transportes coletivos”.

Ao tratar do assunto, o estudo diagnostica que, historicamente, as cidades primeiro buscam enriquecimento para só depois pensar na preservação do meio ambiente. É uma dinâmica cruel e desastrosa sob a ótica das mudanças climáticas. E é por isso que soluções sustentáveis têm ganho força em anos mais recentes, numa clara comprovação de não haver incompatibilidade entre desenvolvimento e preservação do meio ambiente. Como dizem os especialistas da área, trata-se de uma “falsa dicotomia”.

Notam-se problemas ambientais ligados aos congestionamentos e emissões de gases poluentes, contaminação da água, degradação das áreas verdes, por exemplo, em todas as megacidades. Deli e Calcutá, na Índia, Cairo, no Egito, Cidade do México, Tóquio, Londres e Nova York figuram entre as cidades mais poluídas do mundo, segundo levantamento do Banco Mundial.

Sustentabilidade

Se o diagnóstico sobre os problemas ambientais não é difícil de ser realizado, as ações para reduzir os danos da poluição também começam a aflorar e com solidez. São os casos de expansão de oferta de sistemas de transportes coletivos, menos poluentes, em detrimento do veículo individual; ampliação do reúso planejado e da reciclagem de água; e exploração de fontes alternativas e limpas de energia, como a eólica.

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Educação para o uso da água: uma ideia pouco considerada

28 de setembro de 2009 às 3:24 pm Por Jander Ramon

A melhoria da infraestrutura, com incidência de 42% das respostas, e a ampliação dos investimentos, com 29% das citações, são as opções mais indicadas pelos stakeholders para solucionar os problemas de abastecimento de água e coleta e tratamento de esgoto nas megacidades. Um resultado intrigante, se considerado que apenas 15% dos entrevistados citaram “gestão da demanda com educação e conscientização” como melhor alternativa e, para outros 12%, a solução seria “melhoria na informação e tecnologia”.

Como um bem escasso, parece ser elementar que a água deva ser utilizada com racionalidade, mas as preferências dos gestores recaem sobre alterações nas infraestruturas existentes, tentando, assim, garantir a regularidade de abastecimento e diminuir os índices de perdas físicas. Moscou, Londres e Nova York, por exemplo, contam com estruturas obsoletas para o fornecimento de água, necessitando urgentemente de modernização.

Mas, por outro lado, soluções simples na gestão de demanda podem gerar grandes resultados. Em Xangai, recentemente, o governo local exigiu a substituição dos vasos sanitários de descarga com 13 litros para 9 litros, o que resultou numa economia da ordem de US$ 189 milhões por ano em custos de tratamento de água. Ainda ao tratarem da gestão de demanda, os stakeholders preferem promover aumentos nas taxas cobradas pelo bem do que investir em projetos de educação de consumo.

Reuso ganha força

Ainda que conservação e uso racional da água tenham aparecido com peso secundário na busca por soluções para a área de saneamento, a pesquisa identificou um dado relevante e surpreendente: o crescimento da reutilização da água como uma forma de garantir o suprimento para consumo. Em Cingapura, por exemplo, 20% da demanda de consumo de água é fornecida por meio de uma estação de reciclagem. Para 55% dos entrevistados, os prognósticos futuros envolvem o uso de sistemas de reutilização de água, enquanto os 45% dos especialistas restantes indicaram a utilização de novas fontes.

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Relevância secundária para o saneamento básico

23 de setembro de 2009 às 5:35 pm Por Jander Ramon

Por mais que seja uma infraestrutura elementar para a manutenção da vida, saneamento básico é um tema relevante para as megacidades, mas que, de forma surpreendente, ocupou uma posição secundária na preocupação dos stakeholders ouvidos pela pesquisa, atrás de transportes, por exemplo. Enquanto 35% dos entrevistados indicaram transportes como um desafio prioritário a ser enfrentado, somente 8% citaram o abastecimento de água e a coleta e tratamento de esgotos e efluentes industriais como uma questão central da agenda presente e futura das metrópoles.

Conforme constatado em outras áreas, a preocupação com saneamento básico se revela distinta entre as cidades, intimamente ligada ao grau de desenvolvimento. Por contar com uma infraestrutura consolidada nesse campo, apenas 3% dos entrevistados de cidades desenvolvidas indicaram a questão da água como um tema prioritário, enquanto para 13% dos ouvidos nas cidades emergentes essa área está no centro das atenções.

Dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) explicam um pouco essa lógica. Em 2004, cerca de 2,6 bilhões de pessoas, ou quase 40% da população mundial, não tinham acesso a saneamento básico melhorado, ou seja, uma infraestrutura adequada para fornecimento de água e coleta de esgoto. Esse problema está essencialmente concentrado nos países em transição e emergentes. As consequências da ausência dessa infraestrutura são reveladas pelo próprio PNUD: estima-se que 1,8 milhão de crianças morrem no planeta, a cada ano, com diarreia.

Por outro lado, em Londres e em cidades norte-americanas, o abastecimento de água limpa e saneamento, há cerca de um século, reduziu drasticamente a mortalidade infantil e o aumento da expectativa de vida nesses locais.

Diagnóstico

A existência de uma infraestrutura obsoleta e antiga, que incorre em problemas a comprometer a regularidade de atendimento, é apontada por 47% dos entrevistados como o problema mais grave para o abastecimento de água e gestão de resíduos nas megacidades. Outros problemas citados foram ausência de capacidade no sistema e processos ineficientes, mostrando, assim, que gestão é outro item relevante na agenda de soluções para o setor.

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