16 de outubro de 2009 às 6:25 pm Por Jander Ramon
O assunto dessa semana na blogosfera foi “Mudanças Climáticas”. Temos dado nossa parcela de contribuição a esse debate, tendo abordado o tema, direta ou marginalmente, em posts como “A busca por energia limpa”, “Relevância secundária para o saneamento básico” e “Ênfase nos transportes coletivos”.
Ao tratar do assunto, o estudo diagnostica que, historicamente, as cidades primeiro buscam enriquecimento para só depois pensar na preservação do meio ambiente. É uma dinâmica cruel e desastrosa sob a ótica das mudanças climáticas. E é por isso que soluções sustentáveis têm ganho força em anos mais recentes, numa clara comprovação de não haver incompatibilidade entre desenvolvimento e preservação do meio ambiente. Como dizem os especialistas da área, trata-se de uma “falsa dicotomia”.
Notam-se problemas ambientais ligados aos congestionamentos e emissões de gases poluentes, contaminação da água, degradação das áreas verdes, por exemplo, em todas as megacidades. Deli e Calcutá, na Índia, Cairo, no Egito, Cidade do México, Tóquio, Londres e Nova York figuram entre as cidades mais poluídas do mundo, segundo levantamento do Banco Mundial.
Sustentabilidade
Se o diagnóstico sobre os problemas ambientais não é difícil de ser realizado, as ações para reduzir os danos da poluição também começam a aflorar e com solidez. São os casos de expansão de oferta de sistemas de transportes coletivos, menos poluentes, em detrimento do veículo individual; ampliação do reúso planejado e da reciclagem de água; e exploração de fontes alternativas e limpas de energia, como a eólica.

Categorias: Energia, Saúde, Transporte, Urbanização, Água e Saneamento
Tags: energias alternativas, Megacidades, mudanças climáticas, poluição, reúso da água, sustentabilidade
14 de setembro de 2009 às 3:03 pm Por Jander Ramon
Recebemos essa relevante contribuição com informações sobre o panorama mundial e brasileiro para a energia eólica. Trata-se de uma publicação da Siemens, elaborada pelo economista-chefe da empresa, Antonio Corrêa de Lacerda, pelo analista econômico Alexandre Oliveira, e pela estagiária Natália Galhardi, além do apoio do estrategista do mercado de energia, Christian Hoffman. No documento, eles apontam os desafios e oportunidades expostas atualmente à energia eólica, em linha com os debates tratados aqui no blog sobre o abastecimento de energia nas megacidades. Clique e confira a íntegra do documento.
Info CEME – edição 14 – Energia Eólica

Categorias: Energia, Urbanização
Tags: eficiência energética, energia eólica, Megacidades
2 de setembro de 2009 às 9:33 am Por Jander Ramon
Recebemos valiosa colaboração de José Canosa Miguez, arquiteto, lighting designer e consultor em iluminação urbana e arquitetônica. Embora não reflita, necessariamente, a opinião do blog e de seu patrocinador, parcial ou totalmente, o artigo de Miguez apresenta informações interessantes sobre o uso eficiente da iluminação e da necessidade de a poluição luminosa ser combatida nas grandes cidades.
Originalmente publicado no website da ONG VIVERCIDADES, a qual Miguez participa, o artigo pode ser acessado em sua íntegra pelo link http://www.vivercidades.org.br/publique_222/web/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=1488&sid=5
Agradecemos a colaboração do arquiteto Miguez e convidamos todos os leitores a participarem dos debates em Desafios das Megacidades.

Categorias: Energia, Urbanização
Tags: eficiência energética, Megacidades, poluição luminosa, Urbanização
31 de agosto de 2009 às 10:13 am Por Jander Ramon
Um dos destaques do estudo está na grande preocupação dos stakeholders das megacidades sobre as questões ambientais. Atormentados pelos efeitos das mudanças climáticas e a necessidade de reduzir as emissões de gases geradores de efeito estufa, a média dos entrevistados indicou que a resposta a esse desafio está na expansão de investimentos em energias alternativas. Entretanto, essa maior ênfase será acompanhada de uma expansão de uso dos combustíveis fósseis, hoje predominantes, pelo menos no período de cinco a dez anos.
Como poluição é o principal problema ambiental enfrentado pelas grandes cidades, a expectativa da média dos entrevistados é de que as tecnologias renováveis respondam por 48% da energia disponível, enquanto os combustíveis fósseis corresponderão a 52%. Trata-se, porém, da média. Por isso, vale a pena aprofundar os dados. Nas cidades desenvolvidas, o tema aquecimento global foi o terceiro mais citado, enquanto, na média, ficou em sexto lugar.
Na América do Norte, o uso de combustíveis corresponderia a 73% fósseis e o restante de fontes renováveis. É de se esperar, entretanto, que a agenda apresentada pelo governo Barack Obama nessa área promova, com o passar dos anos, um maior equilíbrio entre as fontes.
Difícil execução
Embora os stakeholders, principalmente europeus, manifestem inclinação para evoluir rapidamente em investimentos em energias alternativas, o fato é que o fator econômico ainda é um item a dificultar esse avanço. Londres, por exemplo, tem sua matriz distribuída em 39% de uso de gás, 35% de carvão, 20% de nuclear e só 4% de fontes renováveis. Valendo-se das imensa disponibilidade de gás natural, a preços baixos, Moscou conta com 95% de sua energia com a participação dessa fonte. Índia e China também priorizam o carvão como fonte preferencial, em função da grande disponibilidade do insumo, ainda que mais poluente. E, mesmo sendo a Dinamarca um dos países que maior atenção dá às fontes alternativas, não ultrapassava, em 2004, a 25% da energia consumida. Conforme os stakeholders, os preços da energia produzida por fontes alternativas ainda limitam o seu avanço.


Categorias: Energia, Urbanização
Tags: combustíveis fósseis, Energia, fontes alternativas, Megacidades
28 de agosto de 2009 às 2:33 pm Por Jander Ramon
A diversificação da matriz energética, com maior participação de fontes renováveis (hidroeletricidade, eólica, solar e biomassa, por exemplo), bem como avanços tecnológicos para reduzir e controlar as emissões de gases poluentes gerados pelo uso de combustíveis fósseis, são respostas importantes ao desafio de suprir a crescente demanda de energia das megacidades. Ganhos de eficiência energética, via substituição de equipamentos superados tecnologicamente, bem como pela melhor gestão dos sistemas, são outras iniciativas fundamentais para o aperfeiçoamento do sistema. Separei esse vídeo da Siemens porque nele constam algumas respostas interessantes e inovadoras para o desafio energético das megacidades.

Categorias: Energia, Urbanização
Tags: eficiência energética, Energia, Megacidades
27 de agosto de 2009 às 6:53 pm Por Jander Ramon
Iniciativas para racionalizar o consumo de energia têm sido avaliadas e aplicadas por gestores das megacidades, por distintas razões. Enquanto nos centros desenvolvidos existe preocupação em desestimular o desperdício elevando os preços da eletricidade aos valores de mercado, metrópoles em transição e emergentes sofrem de desabastecimento por não contar com infraestrutura adequada.
Mumbai, na Índia, por exemplo, viu a demanda por eletricidade expandir em 12,4%, em quatro anos, sem acompanhamento de maior oferta. Como consequência, a empresa local de distribuição de energia estabeleceu cortes de fornecimento para determinadas regiões e restringiu o uso de anúncios de neon e transmissões de TV a cabo. Lagos, na Nigéria, além de não conseguir atender nem a a média de 8.500 MW, conta com uma demanda reprimida de 5.000 MW e acumula perdas de 45% da energia nos sistemas de transmissão.
Para 29% dos stakeholders entrevistados, as soluções para os problemas passam pela melhoria ou substituição da infraestrutura energética existente, enquanto 23% sugerem investimentos adicionais no sistema. Surpreende a resposta de 11% dos stakeholders que apontaram a regularização (racionamento, na prática) do uso da energia, uma medida apoiada por megacidades em transição e rechaçada pelas emergentes e desenvolvidas.
Quem paga a conta?
Enfrentar o problema não será questão fácil, a começar pelo diagnóstico da Agência Internacional de Energia (AIE), citadas pelo estudo, ao apontar que, entre 2002 e 2030, a demanda mundial por eletricidade dobrará, puxada por economias em desenvolvimento e sob rápido processo de crescimento, caso de China e Índia.
A projeção da AIE é de que, para suprir a expansão demandada por energia, os países da OCDE deverão investir, no período, cerca de US$ 4 trilhões em geração, transmissão e distribuição de energia, enquanto os países em desenvolvimento responderão por cerca de US$ 5,2 trilhões. Grandes centros europeus têm sugerido que os preços de energia sigam valores de mercado, sem subsídios governamentais, para incentivar o uso eficiente e a taxação de fontes poluidoras. Para emergentes, como Índia e China, essa parece ser uma solução impraticável, por algum tempo, pois há fortes subsídios governamentais para o consumo nesse setor.


Categorias: Energia, Urbanização
Tags: eficiência energética, Energia, investimentos, Megacidades
25 de agosto de 2009 às 2:53 pm Por Jander Ramon
Assegurar o fornecimento regular de energia, via ampliação de investimentos, é um item menos relevante na agenda dos stakeholders ouvidos pelo estudo. Não deixa de ser um paradoxo curioso, uma vez que as megacidades estão ancoradas em sua capacidade produtiva e, para que a atividade econômica se mantenha, dependem de segurança energética. Apenas 2% dos entrevistados entendem ser energia seu desafio de infraestrutura “mais sério”, ficando atrás de transporte, água, educação, habitação e segurança e proteção.
A forma de enfrentamento do problema é entendida distintamente entre as metrópoles, a depender do estágio de desenvolvimento econômico e social. Nas cidades desenvolvidas ou em transição, por exemplo, a preocupação foca-se na ineficiência do sistema elétrico para suportar os horários de pico de consumo. Trata-se, portanto, de enfrentar as limitações de infraestrutura instalada em mercados que já experimentam estabilização dos volumes de consumo. Como exemplo, o documento cita a cidade de Nova York que, por não contar com redes de transmissão capazes de suportar o tráfego de eletricidade nos horários de pico, instituiu uma lei estabelecendo que 80% da energia deve ser gerada na própria cidade.
Realidades distintas
Nos países em desenvolvimento, em muitos casos, a rede de distribuição se revela insuficiente, comprometendo a regularidade de entrega de eletricidade. Xangai, por exemplo, sofre frequentemente apagões no verão, o que levou parte do setor produtivo a transferir suas atividades para o período noturno, momento de menor demanda.
Tal diagnóstico levou os stakeholders dessas localidades a apontarem a necessidade de maior atenção em investimentos na infraestrutura de distribuição, não só para atender aos horários de pico, como também para a demanda média.
Esse debate envolve outros tópicos, como elevação da capacidade de geração e diversificação da matriz energética, regulação de consumo, ganhos de eficiência e precificação do insumo. Trataremos disso nos próximos dias.

Categorias: Energia, Urbanização
Tags: