11 de novembro de 2009 às 6:11 pm Por Jander Ramon
Entramos em uma nova etapa de Desafios das Megacidades. Motivados pela receptividade positiva e pela grande interação criada com nossos leitores, optamos por aprimorar esse debate em torno do desenvolvimento das grandes cidades e, para isso, ampliaremos informações envolvendo boas práticas adotadas globalmente para a evolução da infraestrutura.
Além de seguirmos na exploração das informações trazidas pelo estudo realizado pela GlobeScan e MRC McLean Hazel, patrocinado pela Siemens, vamos incorporar outras pesquisas nessa troca de informações e conhecimento. O novo material aborda ações implementadas em diversas cidades, não necessariamente megacidades, mas que servem de exemplo e de inspiração para que iniciativas similares sejam replicadas. Um diferencial está na preocupação do desenvolvimento de projetos amparados na sustentabilidade.
Dessa forma, além de serem iniciativas economicamente viáveis, essas respostas aos desafios impostos para a expansão da infraestrutura nas metrópoles também ponderam aspectos como respeito ao meio ambiente e inserção social.
Já abordamos antes mas vale reforçar: são as cidades que sofrem de forma mais drástica os efeitos das mudanças climáticas, ainda que respondam por somente 1% da superfície terrestre. Esses centros de aglomeração humana e de concentração de atividade econômica sentem alterações significativas em seu cotidiano, principalmente por conta das consequências geradas pelo contato com a poluição e gases de efeito estufa – em especial, o dióxido de carbono –, sobretudo na área da saúde, mas não apenas nesse campo.
Até o final deste século, por exemplo, a Agência Ambiental Federal da Alemanha (Umweltbundesamt) espera que até Munique registre um aumento no número de dias muito quentes e de noites tropicais. Verões extremamente quentes, como o de 2003, serão regra em vez de exceção.
Encontrar soluções sustentáveis tem sido um desafio constante para os gestores governamentais. Esperamos, mais uma vez, que nosso diálogo envolvendo soluções para questões similares brasileiras possa prosperar.
Continuem conosco.

Categorias: Saúde, Urbanização
Tags: Megacidades, mudanças climáticas, sustentabilidade, Urbanização
5 de novembro de 2009 às 10:31 am Por Jander Ramon
O provimento de serviços de saúde é uma função de governo e a pesquisa reflete essa atribuição, já que, dos entrevistados, 58% esperam ênfase de investimentos no setor público, enquanto 42% apontam para maior aporte à rede privada. Há também expectativa de maior oferta de serviços médicos gratuitos para os usuários, em contraposição ao atendimento em que o usuário paga pelo tratamento (59% ante 41%).
A opção pelo fornecimento do serviço público de saúde gratuito é mais relevante entre os stakeholders das cidades em transição, ênfase apontada para investimentos futuros por 70% dos entrevistados, seguido por aportes financeiros para a propriedade pública (63%) e para o funcionamento do sistema (63%), alternativas assinaladas em questões que permitem mais de uma resposta.
Nas cidades emergentes, a maior atenção deve recair, de acordo com os entrevistados, sobre o funcionamento e a propriedade pública, com 59% e 56% das citações, respectivamente. A pesquisa alerta, entretanto, que essa informação precisa ser considerada no contexto dos baixos investimentos públicos nesses países. Na Índia, por exemplo, apenas 19% dos gastos com saúde são realizados com verbas públicas, de acordo com o Banco Mundial.
O setor público domina o atendimento à saúde nos países em desenvolvimento, com o Estado respondendo por 70% dos gastos nos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Isso pode ser considerado, entretanto, um indicativo importante de potencial de abertura para o setor privado nesse mercado, no futuro.
Nos países desenvolvidos, a pesquisa identifica maior propensão à cobrança dos usuários pelo atendimento. A maioria dos stakeholders estima que, nos próximos anos, devem se sobressair os serviços com pagamentos de honorários simbólicos, além de a propriedade e o funcionamento serem divididos em proporções praticamente iguais entre os setores públicos e privados.
Aliado tecnológico
A Tecnologia da Informação (TI) é considerada um aliado importante da área da saúde, tanto para tratamento dos pacientes como na administração hospitalar. O estudo cita como exemplo a adoção, em São Paulo, de smartcards médicos, do tamanho de uma carteira de dinheiro, que ficam em posse dos pacientes, contendo todas as informações dos prontuários deles. Em Copenhaguen, espera-se que o novo sistema que conecta os hospitais em rede gere economia de aproximadamente US$ 46 milhões por ano.

Categorias: Saúde, Urbanização
Tags: governança, Megacidades, saúde pública, teconologia da informação, TI, urganização
29 de outubro de 2009 às 3:03 pm Por Jander Ramon
Insuficiência de capacidade para atendimento da demanda e ineficiência na gestão do sistema são apontados pelos stakeholders como os principais desafios a serem enfrentados pela área de saúde. Essa percepção parece estar em linha com os debates tratados no Brasil sobre esse tema. A pesquisa constata que simplesmente injetar mais dinheiro nos sistemas atuais de saúde não é suficiente. Mais importante, seria, na visão dos entrevistados, colocar em ordem e em bom funcionamento as infraestruturas já existentes nas cidades, em especial na rede pública de saúde.
Uma discussão similar ocorreu no final de 2007, quando a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), o chamado “Imposto da Saúde”, não foi prorrogada pelo Senado Federal. Na oportunidade, os parlamentares alegaram que a deficiência brasileira nesse setor não estava vinculada às verbas, pois Saúde recebe a maior fatia do Orçamento da União, mas pela gestão ineficiente do setor público nessa área.
A pesquisa indica que, para 32% dos entrevistados, os problemas mais graves no setor de saúde estão ligados à ausência de capacidade no sistema, seguido por processos ineficientes, com 29% das respostas. O peso da ineficiência é notado mais significativamente entre os stakeholders das cidades emergentes. Nesse estrato da pesquisa, medidas para ajustar a qualidade do setor devem resultar do melhor gerenciamento e integração dos sistemas e, só depois, pela contração de mais funcionários.
Já os entrevistados das cidades em transição entendem ser mais urgente priorizar novas infraestruturas, antes de elevar a eficiência. A estratégia preferida, nesse caso, envolve a promoção de mais investimentos. Nos países desenvolvidos, o foco está em obter ganhos de eficiência, acima da expansão dos sistemas, na proporção de 61% e 39% das respostas, respectivamente.
Foco na prevenção
A pesquisa capta a tendência apresentada pelos stakeholders em controlar custos e aumentar a eficiência caminhando na direção da medicina preventiva mais do que no atendimento médico crítico (proporção de 67% ante 33%) e na constituição de infraestruturas integradas comuns à saúde, em detrimento de instituições individuais e independentes (63% ante 37%).

Categorias: Saúde, Urbanização
Tags: governança, Megacidades, saúde pública
23 de outubro de 2009 às 2:00 pm Por Jander Ramon
Os sistemas de saúde têm sido um foco permanente de pressão em todo o planeta e, de forma mais aguda, nas megacidades. Entretanto, surpreendentemente, esse tema não surge como prioritário entre os entrevistados da pesquisa, sendo mencionado por apenas 4% como um desafio social e por 1% de infraestrutura.
Alguns fatores pesam para os administradores dessa área, caso do envelhecimento da população e dos custos cada vez mais elevados de medicamentos e planos de saúde privados. Em outra frente, os governos parecem enfrentar dificuldades para atender à demanda crescente da população nos sistemas públicos de saúde, sobretudo nas cidades em transição e emergentes.
Estudos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) indicam que os gastos com saúde cresceram, entre 1990 e 2004, acima da expansão dos PIBs dos países membros, exceção à Finlândia. Nos Estados Unidos, onde o sistema de saúde é o mais caro do planeta, a participação das despesas de saúde em relação ao PIB saltou, em seis anos, de 13,1% para 15,2%. Não por outra razão, melhorar o sistema e conter a escalada de custos figura entre as prioridades do governo Barack Obama.
A evolução da medicina é reconhecida como uma das maiores vitórias da humanidade nas últimas décadas. Por outro lado, é fato que os medicamentos que prolongam e melhoram a qualidade de vida das pessoas são caros e inacessíveis para boa parte das pessoas. Conforme levantamentos apontados pela pesquisa, uma pessoa com mais de 75 anos incorre em despesas per capita com saúde cinco vezes superiores às registradas por pessoas na faixa etária de 25 a 34 anos. É daí que nasce o crescimento, a cada ano, de 6% a 7% das despesas com saúde, nos diversos países.
O enfrentamento do problema do envelhecimento recai de forma mais intensa no mundo desenvolvido, já que, nos países em transição ou em desenvolvimento, relata a pesquisa, esse é um aspecto que nem pode ser considerado, pois a carência de infraestrutura em saúde não permite a que esse grupo de países nem sequer atender às necessidades básicas de seus cidadãos. O sistema de saúde de Lagos, na Nigéria, não tem condições de prover o atendimento elementar à população, dados os sérios problemas de AIDS, tuberculose e malária. Mumbai, o município mais rico da Índia, destina 25% de seu orçamento para a saúde, mas consegue atender apenas 20% da população, precarizando os serviços de saúde em grandes áreas de favelas.
Sinais de melhora
São Paulo é apontada, junto com Istambul, como cidade que tem conseguido evoluir o sistema de saúde, nos últimos anos. Mas, por outro lado, essas duas cidades, como também ocorre com Xangai e Seul, começam a sofrer dos mesmos males enfrentados por cidades desenvolvidas: os efeitos da poluição provocada pela industrialização e o envelhecimento populacional. Os episódios recentes do advento da nova gripe (H1N1) e, anos atrás, da SARS, na China, impõem ao tema uma avaliação também sob a ótica econômica e de competitividade das cidades, além, evidentemente, do aspecto humanitário. Voltaremos ao assunto em outros posts.

Categorias: Saúde, Urbanização
Tags: densidade populacional, Megacidades, poluição, Saúde, Urbanização
16 de outubro de 2009 às 6:25 pm Por Jander Ramon
O assunto dessa semana na blogosfera foi “Mudanças Climáticas”. Temos dado nossa parcela de contribuição a esse debate, tendo abordado o tema, direta ou marginalmente, em posts como “A busca por energia limpa”, “Relevância secundária para o saneamento básico” e “Ênfase nos transportes coletivos”.
Ao tratar do assunto, o estudo diagnostica que, historicamente, as cidades primeiro buscam enriquecimento para só depois pensar na preservação do meio ambiente. É uma dinâmica cruel e desastrosa sob a ótica das mudanças climáticas. E é por isso que soluções sustentáveis têm ganho força em anos mais recentes, numa clara comprovação de não haver incompatibilidade entre desenvolvimento e preservação do meio ambiente. Como dizem os especialistas da área, trata-se de uma “falsa dicotomia”.
Notam-se problemas ambientais ligados aos congestionamentos e emissões de gases poluentes, contaminação da água, degradação das áreas verdes, por exemplo, em todas as megacidades. Deli e Calcutá, na Índia, Cairo, no Egito, Cidade do México, Tóquio, Londres e Nova York figuram entre as cidades mais poluídas do mundo, segundo levantamento do Banco Mundial.
Sustentabilidade
Se o diagnóstico sobre os problemas ambientais não é difícil de ser realizado, as ações para reduzir os danos da poluição também começam a aflorar e com solidez. São os casos de expansão de oferta de sistemas de transportes coletivos, menos poluentes, em detrimento do veículo individual; ampliação do reúso planejado e da reciclagem de água; e exploração de fontes alternativas e limpas de energia, como a eólica.

Categorias: Energia, Saúde, Transporte, Urbanização, Água e Saneamento
Tags: energias alternativas, Megacidades, mudanças climáticas, poluição, reúso da água, sustentabilidade
28 de setembro de 2009 às 3:24 pm Por Jander Ramon
A melhoria da infraestrutura, com incidência de 42% das respostas, e a ampliação dos investimentos, com 29% das citações, são as opções mais indicadas pelos stakeholders para solucionar os problemas de abastecimento de água e coleta e tratamento de esgoto nas megacidades. Um resultado intrigante, se considerado que apenas 15% dos entrevistados citaram “gestão da demanda com educação e conscientização” como melhor alternativa e, para outros 12%, a solução seria “melhoria na informação e tecnologia”.
Como um bem escasso, parece ser elementar que a água deva ser utilizada com racionalidade, mas as preferências dos gestores recaem sobre alterações nas infraestruturas existentes, tentando, assim, garantir a regularidade de abastecimento e diminuir os índices de perdas físicas. Moscou, Londres e Nova York, por exemplo, contam com estruturas obsoletas para o fornecimento de água, necessitando urgentemente de modernização.
Mas, por outro lado, soluções simples na gestão de demanda podem gerar grandes resultados. Em Xangai, recentemente, o governo local exigiu a substituição dos vasos sanitários de descarga com 13 litros para 9 litros, o que resultou numa economia da ordem de US$ 189 milhões por ano em custos de tratamento de água. Ainda ao tratarem da gestão de demanda, os stakeholders preferem promover aumentos nas taxas cobradas pelo bem do que investir em projetos de educação de consumo.
Reuso ganha força
Ainda que conservação e uso racional da água tenham aparecido com peso secundário na busca por soluções para a área de saneamento, a pesquisa identificou um dado relevante e surpreendente: o crescimento da reutilização da água como uma forma de garantir o suprimento para consumo. Em Cingapura, por exemplo, 20% da demanda de consumo de água é fornecida por meio de uma estação de reciclagem. Para 55% dos entrevistados, os prognósticos futuros envolvem o uso de sistemas de reutilização de água, enquanto os 45% dos especialistas restantes indicaram a utilização de novas fontes.

Categorias: Saúde, Urbanização, Água e Saneamento
Tags: magacidades, saneamento básico, Urbanização, uso racional de água
23 de setembro de 2009 às 5:35 pm Por Jander Ramon
Por mais que seja uma infraestrutura elementar para a manutenção da vida, saneamento básico é um tema relevante para as megacidades, mas que, de forma surpreendente, ocupou uma posição secundária na preocupação dos stakeholders ouvidos pela pesquisa, atrás de transportes, por exemplo. Enquanto 35% dos entrevistados indicaram transportes como um desafio prioritário a ser enfrentado, somente 8% citaram o abastecimento de água e a coleta e tratamento de esgotos e efluentes industriais como uma questão central da agenda presente e futura das metrópoles.
Conforme constatado em outras áreas, a preocupação com saneamento básico se revela distinta entre as cidades, intimamente ligada ao grau de desenvolvimento. Por contar com uma infraestrutura consolidada nesse campo, apenas 3% dos entrevistados de cidades desenvolvidas indicaram a questão da água como um tema prioritário, enquanto para 13% dos ouvidos nas cidades emergentes essa área está no centro das atenções.
Dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) explicam um pouco essa lógica. Em 2004, cerca de 2,6 bilhões de pessoas, ou quase 40% da população mundial, não tinham acesso a saneamento básico melhorado, ou seja, uma infraestrutura adequada para fornecimento de água e coleta de esgoto. Esse problema está essencialmente concentrado nos países em transição e emergentes. As consequências da ausência dessa infraestrutura são reveladas pelo próprio PNUD: estima-se que 1,8 milhão de crianças morrem no planeta, a cada ano, com diarreia.
Por outro lado, em Londres e em cidades norte-americanas, o abastecimento de água limpa e saneamento, há cerca de um século, reduziu drasticamente a mortalidade infantil e o aumento da expectativa de vida nesses locais.
Diagnóstico
A existência de uma infraestrutura obsoleta e antiga, que incorre em problemas a comprometer a regularidade de atendimento, é apontada por 47% dos entrevistados como o problema mais grave para o abastecimento de água e gestão de resíduos nas megacidades. Outros problemas citados foram ausência de capacidade no sistema e processos ineficientes, mostrando, assim, que gestão é outro item relevante na agenda de soluções para o setor.

Categorias: Saúde, Urbanização, Água e Saneamento
Tags: água, infraestrutura, Megacidades, saneamento básico, saúde pública, Urbanização