Debate sobre mudanças climáticas: na blogosfera e, portanto, aqui

16 de outubro de 2009 às 6:25 pm Por Jander Ramon

O assunto dessa semana na blogosfera foi “Mudanças Climáticas”. Temos dado nossa parcela de contribuição a esse debate, tendo abordado o tema, direta ou marginalmente, em posts como “A busca por energia limpa”, “Relevância secundária para o saneamento básico” e “Ênfase nos transportes coletivos”.

Ao tratar do assunto, o estudo diagnostica que, historicamente, as cidades primeiro buscam enriquecimento para só depois pensar na preservação do meio ambiente. É uma dinâmica cruel e desastrosa sob a ótica das mudanças climáticas. E é por isso que soluções sustentáveis têm ganho força em anos mais recentes, numa clara comprovação de não haver incompatibilidade entre desenvolvimento e preservação do meio ambiente. Como dizem os especialistas da área, trata-se de uma “falsa dicotomia”.

Notam-se problemas ambientais ligados aos congestionamentos e emissões de gases poluentes, contaminação da água, degradação das áreas verdes, por exemplo, em todas as megacidades. Deli e Calcutá, na Índia, Cairo, no Egito, Cidade do México, Tóquio, Londres e Nova York figuram entre as cidades mais poluídas do mundo, segundo levantamento do Banco Mundial.

Sustentabilidade

Se o diagnóstico sobre os problemas ambientais não é difícil de ser realizado, as ações para reduzir os danos da poluição também começam a aflorar e com solidez. São os casos de expansão de oferta de sistemas de transportes coletivos, menos poluentes, em detrimento do veículo individual; ampliação do reúso planejado e da reciclagem de água; e exploração de fontes alternativas e limpas de energia, como a eólica.

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O papel público e o privado no setor de transportes

21 de setembro de 2009 às 2:41 pm Por Jander Ramon

Alguns dados curiosos do setor de transportes foram identificados pela pesquisa. É o caso, por exemplo, do direcionamento dos investimentos da área. Nas cidades onde os investimentos estão em curso, a preferência dos gestores recai sobre a aplicação das verbas em projetos de expansão e modernização de sistemas já existentes, em detrimento a construção de novas infraestruturas. Ou seja, prefere-se expandir uma linha de metrô já existente ou novos serviços de ônibus no lugar de, eventualmente, instalar um novo meio para compor a malha logística de transportes.

Outro fato que merece atenção tem a ver com a titularidade de prestação do serviço de transportes. A maioria dos stakeholders afirmou que transporte é uma tarefa pública, em vez de privada, na proporção de 59% ante 41%, respectivamente. No conjunto de cidades desenvolvidas, essa proporção foi ainda maior: 72% ante 28%.

O controle estatal, segundo o levantamento, se manifesta por meio da propriedade dos sistemas e regulamentação do serviço, por exemplo. Por outro lado, não deixa de ser intrigante que, quando foram indagados sobre as perspectivas de operação de transporte público em suas cidades no futuro, 53% projetaram uma operação pública, enquanto 47% indicaram privada.

Atualmente, os níveis globais de presença privada no setor de transporte coletivo são relativamente baixos. Uma exceção é Londres, onde operadores privados mantêm o sistema de transporte coletivo em operação, enquanto o poder público se responsabiliza pela instalação da infraestrutura e regulamentação da operação.

Vantagens e desvantagens

A pesquisa identificou que poucos são os casos onde a iniciativa privada opera sistemas de transporte. Na maioria das vezes, portos, aeroportos, sistemas ferroviários e rodoviários, além de estradas pedagiadas, são controlados e operados pelos entes públicos, via administração direta dos governos, ou via empresas estatais. Sobre uma eventual maior participação da iniciativa privada nesse setor, a pesquisa identifica que as maiores vantagens não seriam de ordem financeira, mas de melhoria de gestão e maior eficiência. A desvantagem residiria, na opinião dos entrevistados, em operações de “custos mais elevados para os usuários, incapacidade de atender a demanda e mentalidade voltada unicamente ao lucro”.

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Ênfase nos transportes coletivos

16 de setembro de 2009 às 6:20 pm Por Jander Ramon

Quando fazem prognósticos sobre o desenvolvimento, nos próximos anos, da infraestrutura de transportes nas megacidades, independentemente do estágio de desenvolvimento, os stakeholders, em sua esmagadora maioria, apontam para ênfase ao transporte coletivo, da ordem de 71% ante 29% para o individual, no total das respostas.

Um dos aspectos por trás dessa opção tem a ver com o tema ambiental. Estudos indicam que somente o transporte por rodovias responde por mais de 40% das descargas de partículas suspensas na atmosfera. É natural, portanto, que a poluição gerada pelos congestionamentos seja uma preocupação dos gestores das megacidades, a ponto de três quartos dos entrevistados assinalarem como importantes os impactos ambientais para a decisão de investimentos.

O levantamento identificou que, de 2005 a 2010, em oito cidades analisadas, os principais investimentos estarão concentrados em transporte coletivo, especialmente sobre trilhos. Duas exceções se destacam: Moscou e Lagos (Nigéria). Dona de um excelente sistema de transporte coletivo, comparável a Londres, Moscou se viu obrigada, mais recentemente, a investir em infraestrutura para o transporte individual, como ruas e avenidas, para poder atender a expansão da frota veicular constatada nos últimos anos. Já Lagos, por praticamente não contar com sistemas sobre trilhos, tem enorme dependência de ônibus, o que a induz a manter os recursos no transporte rodoviário.

Xangai é outro exemplo de expansão do transporte rodoviário. A expectativa é de que, até 2020, a frota de carros e caminhões seja quadruplicada.

Gestão de demanda

A aplicação de gestão de demanda, por meio de restrições físicas e econômicas para o uso de veículos em determinadas regiões das metrópoles, ainda é uma opção pouco prioritária pelos stakeholders. O estudo não chega a citar o rodízio de veículos de São Paulo, mas relata que, em Londres e Estocolmo, a instalação de pedágios para controlar o fluxo de veículos em regiões centralizadas reduziu os congestionamentos em cerca de 30% e as emissões de gases poluentes e de acidentes nas ruas entre 10% e 20%.

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Respostas difíceis para o problema do transporte

11 de setembro de 2009 às 4:15 pm Por Jander Ramon

Ao indicarem a necessidade de ampliação dos investimentos em infraestrutura como uma resposta ao desafio de superar os problemas de transporte nas megacidades, os stakeholders apresentam, entranto, destinos diferenciados de aplicação dos recursos, a depender do estágio de desenvolvimento da metrópole.

O direcionamento de recursos a serem aplicados deveria se concentrar, para a maioria dos entrevistados, no aperfeiçoamento de sistemas já existentes, almejando-se ganhos de eficiência. Seria, por exemplo, o caso de ampliar linhas de metrô já existentes ou expandir a oferta de serviços de ônibus.

Para 33% dos entrevistados, a solução passa pela reorganização ou revitalização de infraestrutura já existente. Há maior incidência dessa recomendação nas cidades desenvolvidas, onde a infraestrutura é avaliada como insuficiente ou até obsoleta. É o que acontece no Reino Unido, onde análises governamentais apontam a necessidade de incrementar os projetos existentes.

Déficits de transporte

Se o mundo desenvolvido carece de ajustes na malha de transportes existentes, megacidades emergentes e em transição ainda dependem, conforme o levantamento, da instauração ou ampliação dessa infraestrutura, mais do que eventuais ganhos de eficiência.

Desde 1952, Karachi (Paquistão) analisa a implementação de um sistema de transporte coletivo sobre trilhos. Pela ausência dessa infraestrutura, o sistema de transporte local sofre estrangulamento, sendo que parte da população viaja por longos percursos sobre o teto de ônibus, arriscando suas vidas. Em Istambul, cidade em transição, o governo pretende investir cerca de US$ 4,9 bilhões para ampliar e interligar seu sistema metroviário.

Retornarei ao assunto em outro post, tratando do tema poluição e uso de veículos individuais.

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Megatrânsito em megacidades: a maior preocupação

9 de setembro de 2009 às 7:25 pm Por Jander Ramon

A infraestrutura de transportes é aquela que provoca a maior preocupação dos stakeholders das megacidades, segundo o estudo. Embora não cite especificamente São Paulo, é quase impossível não vir à mente os imensos congestionamentos sofridos, essa semana, pela capital econômica do País, por conta das chuvas.

Várias são as justificativas para a inquietação dos stakeholders sobre esse tema, como o comprometimento da competitividade econômica das megacidades provocada pela difícil mobilidade de cargas e pessoas. A poluição gerada pelo tráfego é outro item de desassossego dos entrevistados.

Esse parece ser um problema universal, a se repetir em todas as megacidades, independentemente do estágio de desenvolvimento. Do total de entrevistados, 30% mencionaram que “recursos limitados” são as principais causas dos problemas de transporte. A segunda incidência de respostas é particularmente simbólica: 21% dos stakeholders entendem que o problema está relacionado ao planejamento insatisfatório, ou seja, diretamente relacionado ao tema “governança” pública.

Um estudo da Confederação da Indústria Britânica (CBI, sigla em inglês para Confederation of British Industry) indicou que os custos com congestionamentos vividos em diversas cidades do Reino Unido, caso de Londres, geram despesas na casa de US$ 38 bilhões/ano. Nada menos que 27% dos entrevistados entendem que a fluidez de transportes é crucial para atração de investimentos econômicos.

Prioridade

Como, de fato, o problema acomete a todas as megacidades, não poderia deixar de ser um assunto prioritário na agenda de gastos: 86% dos stakeholders citam transportes como uma importante área para investimentos. Mas cada metrópole, a depender de seu estágio de desenvolvimento, indica distintas iniciativas para o enfrentamento do problema. Voltarei ao assunto no decorrer desta semana.

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