Expectativas em torno da Conferência do Clima da ONU, em Copenhague

25 de novembro de 2009 às 10:00 am Por Jander Ramon

Em resposta ao relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês) “Mudança Climática 2007”, os ministros do Meio Ambiente da União Europeia estabeleceram a meta de reduzir as emissões do gás estufa em mais de 50% ao redor do mundo até a metade do século, o que significa menos de duas toneladas de emissões per capita, em média. Somente com as tecnologias existentes, esta meta pode ser alcançada e até mesmo ultrapassada em grandes cidades.

Ainda que esse objetivo esteja claro, a maioria dos países desenvolvidos não anunciou suas metas e tampouco compromissos para redução dessas emissões, mesmo sendo obrigados a reduzirem suas emissões de gases de efeito estufa até 2020. Espera-se, agora, que cada país apresente quais são as metas individuais de redução de emissões desses gases na Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas (COP15), que acontece de 7 a 18 de dezembro em Copenhague, na Dinamarca.

Alemanha

Munique, na Alemanha, com 1,3 milhão de habitantes, planeja conter sua contribuição ao aquecimento global, reduzindo em 50% as emissões de CO2 até 2030. É um sinal importante para indicar os parâmetros que poderão ser perseguidos pelo país como um todo. De acordo com a edição de Munique do estudo “Infraestrutura Urbana Sustentável”, produzido pelo Wuppertal Institute for Climate, Environment and Energy, com o apoio da Siemens, a meta pode ser atingida por meio da combinação do uso de tecnologia e mudança dos hábitos de consumo, especialmente envolvendo a área de energia, incluído, nesse caso, o setor de transportes.

Irlanda

Dublin, capital e centro econômico da Irlanda, também possui um imenso desafio pela frente: pavimentar o caminho para se tornar uma cidade sustentável. Sob o Protocolo de Kyoto, a Irlanda assumiu o compromisso de elevar em apenas 13% suas emissões de CO2, entre 2008 e 2012, sobre os níveis registrados em 1990 (ou seja, elevar de 56 milhões de toneladas para até 62,8 milhões de toneladas) e voltar ao patamar de 1990 em 2020. O desafio, nesse caso, é imenso e envolve também ações importantes nos setores de energia e transportes.

Conforme o volume de emissões per capita de CO2 entre 2005 a 2006, a capital irlandesa liderava um ranking de cidades europeias comparáveis no mesmo estágio de desenvolvimento e estrutura econômica. Enquanto Dublin emitia 9,7 toneladas por habitante, Edimburgo (Escócia) gerava 7,5 t, Munique 7,1 t, Copenhague 6,9 t, e Londres 6,3 t. Portanto, há espaço para Dublin reduzir suas emissões de gases de efeito estufa e, portanto, cumprir os termos sugeridos pelo Protocolo de Kyoto.

Contribuição brasileira

Nesse debate, o Brasil oferece uma contribuição relevante, ao assumir o compromisso de reduzir suas emissões de gases que provocam o aquecimento global entre 36,1% e 38,9% em relação ao que o País emitiria em 2020 se nada fosse feito. Esse corte é voluntário, pois nações em desenvolvimento não estão obrigadas a diminuir suas emissões. Exatamente por isso, Índia e China tendem a apresentar objetivos mais tímidos em relação ao Brasil, ainda que os países desenvolvidos pressionem para que as nações em desenvolvimento contribuam no processo de combate ao aquecimento global.

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A proteção ambiental ganha força no debate sobre desenvolvimento

19 de novembro de 2009 às 5:08 pm Por Jander Ramon

É cada vez mais aceita mundialmente a ideia de que a batalha pela sustentabilidade será travada nas cidades. Nessas áreas habitam a metade da população do planeta e, até 2025, essa proporção tende a se elevar para 60%. As cidades consomem 75% da energia mundial e produzem 80% das emissões de gás estufa – principalmente dióxido de carbono (CO2).

Se essas metrópoles são as que mais sofrem os efeitos das mudanças climáticas, também são, por outro lado, aquelas que reúnem as melhores condições de enfrentamento a esses problemas, uma vez que estão centralizados num determinado local e, portanto, mais fáceis de controlar. Consequentemente, as medidas de proteção climática terão maior impacto nas cidades.

As áreas metropolitanas do mundo estão em uma posição relevante, nesse cenário, para preparar caminho para estilos de vida que beneficiem o meio ambiente e as economias, além de gerar soluções que possam servir de modelo para outras regiões.

Essa clareza não significa, entretanto, facilidade de implementação de iniciativas no campo da preservação ambiental atrelada ao desenvolvimento. A lógica que ainda persiste, mas felizmente começa a apresentar os primeiros sinais de mutação, é a de que a ordem econômica ainda precede as decisões envolvendo o meio ambiente.

Os sinais de mudança começaram a ser percebidos mais claramente a partir das divulgações dos diagnósticos do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês), com previsões de aumento da temperatura média do planeta, nas próximas décadas, o que trará graves consequências para todas as nações. Em outras palavras, começa-se a formar consenso entre governos, agentes econômicos e população de que os custos para reduzir as emissões de gases de efeito estufa serão menores do que as consequências trazidas pela elevação da temperatura média mundial.

Conferência do Clima de Copenhague

No ambiente de debates sobre os rumos do planeta, a Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU) -COP15-, a ser realizada de 7 a 18 do próximo mês em Copenhague (Dinamarca), terá um papel importante e, quem sabe, significativo para definições mais claras sobre o controle e diminuição das emissões de gases poluentes no planeta. Voltaremos ao assunto no próximo post.

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