23 de outubro de 2009 às 2:00 pm Por Jander Ramon
Os sistemas de saúde têm sido um foco permanente de pressão em todo o planeta e, de forma mais aguda, nas megacidades. Entretanto, surpreendentemente, esse tema não surge como prioritário entre os entrevistados da pesquisa, sendo mencionado por apenas 4% como um desafio social e por 1% de infraestrutura.
Alguns fatores pesam para os administradores dessa área, caso do envelhecimento da população e dos custos cada vez mais elevados de medicamentos e planos de saúde privados. Em outra frente, os governos parecem enfrentar dificuldades para atender à demanda crescente da população nos sistemas públicos de saúde, sobretudo nas cidades em transição e emergentes.
Estudos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) indicam que os gastos com saúde cresceram, entre 1990 e 2004, acima da expansão dos PIBs dos países membros, exceção à Finlândia. Nos Estados Unidos, onde o sistema de saúde é o mais caro do planeta, a participação das despesas de saúde em relação ao PIB saltou, em seis anos, de 13,1% para 15,2%. Não por outra razão, melhorar o sistema e conter a escalada de custos figura entre as prioridades do governo Barack Obama.
A evolução da medicina é reconhecida como uma das maiores vitórias da humanidade nas últimas décadas. Por outro lado, é fato que os medicamentos que prolongam e melhoram a qualidade de vida das pessoas são caros e inacessíveis para boa parte das pessoas. Conforme levantamentos apontados pela pesquisa, uma pessoa com mais de 75 anos incorre em despesas per capita com saúde cinco vezes superiores às registradas por pessoas na faixa etária de 25 a 34 anos. É daí que nasce o crescimento, a cada ano, de 6% a 7% das despesas com saúde, nos diversos países.
O enfrentamento do problema do envelhecimento recai de forma mais intensa no mundo desenvolvido, já que, nos países em transição ou em desenvolvimento, relata a pesquisa, esse é um aspecto que nem pode ser considerado, pois a carência de infraestrutura em saúde não permite a que esse grupo de países nem sequer atender às necessidades básicas de seus cidadãos. O sistema de saúde de Lagos, na Nigéria, não tem condições de prover o atendimento elementar à população, dados os sérios problemas de AIDS, tuberculose e malária. Mumbai, o município mais rico da Índia, destina 25% de seu orçamento para a saúde, mas consegue atender apenas 20% da população, precarizando os serviços de saúde em grandes áreas de favelas.
Sinais de melhora
São Paulo é apontada, junto com Istambul, como cidade que tem conseguido evoluir o sistema de saúde, nos últimos anos. Mas, por outro lado, essas duas cidades, como também ocorre com Xangai e Seul, começam a sofrer dos mesmos males enfrentados por cidades desenvolvidas: os efeitos da poluição provocada pela industrialização e o envelhecimento populacional. Os episódios recentes do advento da nova gripe (H1N1) e, anos atrás, da SARS, na China, impõem ao tema uma avaliação também sob a ótica econômica e de competitividade das cidades, além, evidentemente, do aspecto humanitário. Voltaremos ao assunto em outros posts.

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16 de outubro de 2009 às 6:25 pm Por Jander Ramon
O assunto dessa semana na blogosfera foi “Mudanças Climáticas”. Temos dado nossa parcela de contribuição a esse debate, tendo abordado o tema, direta ou marginalmente, em posts como “A busca por energia limpa”, “Relevância secundária para o saneamento básico” e “Ênfase nos transportes coletivos”.
Ao tratar do assunto, o estudo diagnostica que, historicamente, as cidades primeiro buscam enriquecimento para só depois pensar na preservação do meio ambiente. É uma dinâmica cruel e desastrosa sob a ótica das mudanças climáticas. E é por isso que soluções sustentáveis têm ganho força em anos mais recentes, numa clara comprovação de não haver incompatibilidade entre desenvolvimento e preservação do meio ambiente. Como dizem os especialistas da área, trata-se de uma “falsa dicotomia”.
Notam-se problemas ambientais ligados aos congestionamentos e emissões de gases poluentes, contaminação da água, degradação das áreas verdes, por exemplo, em todas as megacidades. Deli e Calcutá, na Índia, Cairo, no Egito, Cidade do México, Tóquio, Londres e Nova York figuram entre as cidades mais poluídas do mundo, segundo levantamento do Banco Mundial.
Sustentabilidade
Se o diagnóstico sobre os problemas ambientais não é difícil de ser realizado, as ações para reduzir os danos da poluição também começam a aflorar e com solidez. São os casos de expansão de oferta de sistemas de transportes coletivos, menos poluentes, em detrimento do veículo individual; ampliação do reúso planejado e da reciclagem de água; e exploração de fontes alternativas e limpas de energia, como a eólica.

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Tags: energias alternativas, Megacidades, mudanças climáticas, poluição, reúso da água, sustentabilidade
16 de setembro de 2009 às 6:20 pm Por Jander Ramon
Quando fazem prognósticos sobre o desenvolvimento, nos próximos anos, da infraestrutura de transportes nas megacidades, independentemente do estágio de desenvolvimento, os stakeholders, em sua esmagadora maioria, apontam para ênfase ao transporte coletivo, da ordem de 71% ante 29% para o individual, no total das respostas.
Um dos aspectos por trás dessa opção tem a ver com o tema ambiental. Estudos indicam que somente o transporte por rodovias responde por mais de 40% das descargas de partículas suspensas na atmosfera. É natural, portanto, que a poluição gerada pelos congestionamentos seja uma preocupação dos gestores das megacidades, a ponto de três quartos dos entrevistados assinalarem como importantes os impactos ambientais para a decisão de investimentos.
O levantamento identificou que, de 2005 a 2010, em oito cidades analisadas, os principais investimentos estarão concentrados em transporte coletivo, especialmente sobre trilhos. Duas exceções se destacam: Moscou e Lagos (Nigéria). Dona de um excelente sistema de transporte coletivo, comparável a Londres, Moscou se viu obrigada, mais recentemente, a investir em infraestrutura para o transporte individual, como ruas e avenidas, para poder atender a expansão da frota veicular constatada nos últimos anos. Já Lagos, por praticamente não contar com sistemas sobre trilhos, tem enorme dependência de ônibus, o que a induz a manter os recursos no transporte rodoviário.
Xangai é outro exemplo de expansão do transporte rodoviário. A expectativa é de que, até 2020, a frota de carros e caminhões seja quadruplicada.
Gestão de demanda
A aplicação de gestão de demanda, por meio de restrições físicas e econômicas para o uso de veículos em determinadas regiões das metrópoles, ainda é uma opção pouco prioritária pelos stakeholders. O estudo não chega a citar o rodízio de veículos de São Paulo, mas relata que, em Londres e Estocolmo, a instalação de pedágios para controlar o fluxo de veículos em regiões centralizadas reduziu os congestionamentos em cerca de 30% e as emissões de gases poluentes e de acidentes nas ruas entre 10% e 20%.
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